Não disse nada. Continuei dizendo nada e quando percebi já estava dizendo tudo.
Seu egoísmo, sua incapacidade de perceber as minhas inquietações, a sua vontade descontrolável de querer o sofrimento somente para si, meu bem, é deprimente. Lágrimas foram derramadas, lágrimas que continham sangue e ao rolarem o rosto saíam rasgando tudo por fora e por dentro, depois elas por si só secaram, apenas. Muitos anos dedicados a você, quantos anos, perdidos, é claro, quantas promessas de não voltar, mas voltava e sorria pra você, de repente uma variação de humor, talvez as lembranças me persigam e não é tão fácil sorrir assim. Ela roubou o meu sorriso, mas não a minha vontade de viver. Tudo bem, você quer ir, sinto que há muito tempo, abrirei as portas do meu coração, sua ingratidão é o que me move para frente, sinto um misto de raiva x ódio, tudo está se transformando em sentimentos mórbidos, decaídos. Farei das minhas lágrimas meu ponto de sustentação, aguardarei quanto tempo for preciso pra um dia sorrir de você, o tempo que for.

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